sexta-feira, 30 de junho de 2017

Ninguém se cerca de Geddeis, Moreiras & Cia. se não por afinidade.

Janio de Freitas *


A crise enlouqueceu mais um pouco. Com propensão a escapar de mais controles espontâneos e automáticos, sem que se anteveja quais seriam no estoque denominado Constituição.

Entre Michel Temer e Rodrigo Janot reduziu-se a reserva de respeito forçado no convívio dos Poderes. Certo é que, com avanço ou com recuo da crise, nenhuma das saídas imagináveis é sequer razoável. Já é muito grande a corrosão geral, e tão maior será quanto mais a crise perdure. No conjunto de incógnitas, a especulação mais interessante: o atual desalento da sociedade com o seu país será sempre desalento ou levará a um desabafo daqueles?

Se depender do Congresso, a segunda hipótese tem maior chance. A Câmara que abriu a corrida para o impeachment de uma presidente, por truque contábil de que nem era a autora, é a mesma com óbvia disposição de negar licença para o impeachment de um presidente assoberbado por denúncias. Desde corrupção, dificuldade de construir uma defesa sem contradições e inverdades, e ainda pelos 76% que desejam vê-lo rampa do Planalto abaixo.

As defesas apresentadas por Temer, aliás, têm um componente mais dramático do que policial ou judicial. Janot e seus procuradores estão convencidos de que os R$ 500 mil na mala passada por Joesley Batista a Rodrigo Rocha Loures eram, na verdade, destinados a Michel Temer. Nas suas três defesas públicas, Temer não fez alusão à mala e à prisão do seu representante autorizado junto a Joesley e aos interesses do grupo JBS/J&F (lamento a frustração, mas nada a ver com o J e F aqui no velho batente). Na argumentação, porém, esteve implícita a negação de envolvimento com a mala e seu conteúdo. Logo, Temer joga o amigo "de total confiança" no papel de único achacador, recebedor e dono dos R$ 500 mil. E nem adianta que Loures o desminta, se for o caso, por falta de prova. Está nas mãos de Temer, que não as estenderá, e de Joesley, que joga com interesses.

Por falar em defesas de Temer, há ainda uma contradição suicida na mais recente e já tão esmiuçada. A inexistência de adulteração e, portanto, a validade da sua gravação com Joesley Batista é afirmada pela perícia da Polícia Federal. Temer a considera "prova inválida e ilícita", pelas falhas de som em segundos e frações de segundo. Na ocasião, também disse: "na pesquisa feita seriamente pela Polícia Federal, pelo seu Instituto Nacional de Criminalística" (...). A competência técnica da PF e do INC não merece dúvida, se não há influência política externa ou interna. Reconhecido por Temer que a PF e o INC trabalharam "seriamente", está desmentido seu argumento de invalidade da perícia oficial como prova em fins judiciais.

Que fins serão esses e os demais, estão acima de fantasias primárias de renúncia de Temer "para bem do Brasil", "por patriotismo". Não há lideranças políticas, nem pensadores em condições de influência, para evitar que a crise siga com geração própria. E com a colaboração desesperada e mercantil de Michel Temer. Mas sem justificar surpresas.

Era fácil saber logo de quem se tratava: ninguém se cerca de Geddeis, Moreiras & cia. se não for por afinidade, se não tiver o mesmo propósito pelos mesmos meios. Apesar disso, Michel Temer foi e continua apoiado não só no Congresso, mas também, e talvez com mais força, no empresariado graúdo. Nas vestais do PSDB gananciosas da sucessão presidencial ou pendurados nos ministérios. Nos que empurraram o país para o buraco, pela ninharia de uma contabilidade inútil, e hoje calam sua responsabilidade, felizes no elitismo e trêmulos de medo da polícia e da Justiça.

* o autor é jornalista.
Publicado originalmente na Folha de São Paulo.

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quinta-feira, 29 de junho de 2017

Renan: Cunha é quem dá as ordens.

Richard Jakubaszko 
O senador Renan Calheiros, ontem,  em discurso na tribuna do Senado, renunciou à liderança de seu partido (PMDB), para poder "agir e votar com independência", segundo discursou, e depois discorreu sobre o comportamento ditatorial do presidente Temer, ao qual Renan afirma que não vai se submeter, porque não é marionete. 

Até aí, nada demais. Puro gesto político. Mas Renan fez outras críticas: disse que Temer é fantoche no cargo, e quem dá as ordens é Eduardo Cunha, direto do presídio em Curitiba.

Quando me disseram isso, quase caí na cadeira, precisei assistir o vídeo abaixo, para acreditar nas denúncias relatadas por Renan, ele que foi apoiador do golpe para destituir Dilma, quando presidia o Senado, e agora retira-se do grupo de apoio ao Palácio do Planalto. Fidelidade não é o forte de políticos como Renan. E Renan disse ainda muitas outras coisas gravíssimas.

Mais um espertíssimo político que se retira do abalroado navio Temer, que naufraga a cada dia.
Renan é uma velha e experiente raposa política, e sabe o que está fazendo. Ou você acha que ele chuta cachorro morto por diletantismo? Uma coisa é certa, Renan não é dado a suicídio político. Conforme revelou Paulo Henrique Amorim, há um provérbio alagoano muito sábio: "Se o Renan se jogar, vai atrás porque tem rede embaixo".

Temer só sai do Palácio do Planalto se for deposto. Ou se derem indulto. Coitado desse nosso Brasil.

FORA TEMER!

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quarta-feira, 28 de junho de 2017

Exportações de carne aos EUA: CNPC diz que parar de vacinar é a solução.

Richard Jakubaszko 
Recebi agora há pouco o comunicado abaixo, da assessoria de imprensa do CNPC, presidido pelo veterinário Sebastião Costa Guedes.
 


Para o CNPC -Conselho Nacional da Pecuária de Corte, solução para os problemas da carne depende da melhoria da vacina contra aftosa e de sua futura retirada.

Segundo levantamento, hoje o Brasil possui um rebanho de 118 milhões de cabeças, distribuídas em 12 Estados e no Distrito Federal, que não apresentam focos da doença há mais de 20 anos

Para o CNPC, o problema gerado com a suspensão das compras de carne bovina in natura, por parte dos EUA pode começar a ser resolvido com algumas medidas simples por parte do Mapa: proibição da vacinação contra febre aftosa por via intramuscular, proibição da adição de saponina na vacina, e investimentos na extensão rural. Além disso, a redução do volume da dose de 5 para 2 ml, e a realização de testes sobre as substâncias usadas pelos fabricantes de vacinas. Todas essas ações o CNPC e outras entidades ligadas aos pecuaristas solicitam há muito tempo.

No entender do CNPC, esses seriam os primeiros passos, mas devemos continuar com o programa de retirada da vacina contra aftosa no nosso país. Para boa parte dos pecuaristas brasileiros, os argumentos para retirada da vacina são fortes: o Brasil já possui um rebanho de 118 milhões de cabeças que não apresenta focos da doença entre 20 anos e 24 anos. Outros estados, entre 15 anos e 20 anos sem focos atingem 41 milhões de cabeças. Além disso, o PANAFTOSA afirma que após 4 ou 5 anos sem focos pode-se prescindir da vacina.

Trabalhos recentes feitos pelo PANAFTOSA mostraram perdas da ordem 2 quilos de peso morto por animal, o que corresponde a 4 quilos de peso vivo que ocorre em milhões de cabeças. Alguns criadores relatam perdas ainda maiores.

Tais perdas de peso decorrem de reações inflamatórias resultantes de vacina ou da vacinação, que são provocadas por diferentes fatores e que precisam ser pesquisados. Há também a necessidade de se fazer um investimento, por parte dos laboratórios, em extensão rural, visando orientar melhor quem faz as aplicações.

Inúmeros contatos do CNPC e de outras entidades da pecuária com os laboratórios foram infrutíferos. Desde 2013, foram feitas cinco reuniões com pecuaristas, principalmente do Mato Grosso do Sul, com representantes do Sindicato Nacional da Indústria de Produtos para Saúde Animal – Sindan, dos fabricantes de vacinas e também da Embrapa Gado de Corte. Nesses encontros discutiu-se o problema e ficou acertado que seriam conduzidos testes a respeito do assunto, mas nada aconteceu até agora.

Ante esse quadro, que já causou grandes prejuízos aos criadores e frigoríficos brasileiros, e que agora também afeta nossas exportações para o mercado norte-americano, o CNPC espera que a tão almejada retirada da vacinação realmente aconteça.


ATENÇÃO:
Alguns minutos após publicar o texto acima, do CNPC, recebi da assessoria de imprensa do Sindan o seguinte informe:

Boa tarde Richard,
Falo com você como assessor de imprensa do Sindicato Nacional da Indústria de Produtos para Saúde Animal (Sindan). Recebi o seu e-mail e gostaria de te repassar alguns dados adicionais sobre o embargo dos EUA à carne in natura brasileira a título de contribuir para correta informação ao mercado.

Para começar, peço sua atenção ao link https://economia.uol.com.br/noticias/redacao/2017/06/23/eua-encontraram-ossos-coagulos-e-bacteria-em-carne-brasileira-diz-agencia.htm

Trata-se de divulgação da Agência Bloomberg, tendo como fonte o FSIS, órgão de segurança alimentar do USDA.

Especificamente em relação ao texto publicado no seu blog, seguem algumas considerações para sua análise:
. A Colômbia estava desde 2009 sem foco de aftosa e, apesar de ter programa de vacinação semelhando ao Brasil, foi atingida por surto na semana passada em localidade a 100 km da fronteira da Venezuela – país que não tem programa de vacinação regular.
. O Brasil tem mais de 17 mil km de fronteiras secas, sendo mais de 4 mil km com Paraguai e Bolívia, países que também vacinam o gado. Dessa forma, parar de vacinar significa ficar à mercê da correta vacinação nos países vizinhos. Como ocorreu agora na Colômbia, isso pode ser um risco ao país.
. Sobre o trecho “Tais perdas de peso decorrem de reações inflamatórias resultantes de vacina ou da vacinação...”: em determinados animais, a vacina contra aftosa pode provocar edemas, que desaparecem com o tempo, nunca reações inflamatórias. Se isso ocorre é por infecção provocada no ato da vacinação ou posteriormente. Ou seja, sem relação com a qualidade da vacina.
Espero ter contribuído.
Aproveito a oportunidade para te encaminhar posicionamento do SINDAN em relação ao tema.

É IMPROVÁVEL QUE A VACINA SEJA RESPONSÁVEL PELA SUSPENSÃO DAS EXPORTAÇÕES DE CARNE BOVINA IN NATURA PARA OS ESTADOS UNIDOS
O Sindicato Nacional da Indústria de Produtos para Saúde Animal (Sindan) entende que é pouco provável que a vacina contra a febre aftosa seja responsável pelo embargo norte-americano para a carne brasileira. A vacina brasileira tem qualidade, segurança e eficácia reconhecidas pelas autoridades, produtores, indústria e instituições internacionais de saúde animal. O processo de fabricação é longo, extremamente rígido e inclui duplo controle dos processos – pela indústria e pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA) –, além de seguir todas as normas, produção, colheita, armazenamento e distribuição definidas pelas autoridades governamentais, sendo este processo 100% rastreado, o que garante aos pecuaristas e todos os demais envolvidos a maior segurança existente tratando de um produto biológico.
Eventuais reações provocadas pela vacina nos bovinos ocorrem por uma série de fatores, que vão da base oleosa e adjuvantes utilizados até sensibilidade e estresse animal, processo de vacinação em si, com agulhas mal esterilizadas e/ou inadequadas, e aplicação em locais inadequados. No entanto, a vacina não causa abcessos purulentos.
O Brasil fabrica vacinas contra febre aftosa desde a década de 1960, tendo, portanto, larga experiência nessa área. Além disso, a indústria veterinária investe constantemente em pesquisa e desenvolvimento, com o compromisso de colocar no mercado vacinas cada vez mais eficientes, inclusive sem proteínas estruturais, o que permitiu atingirmos o status atual de exportador, com base no reconhecimento de livre da aftosa com vacinação.
A vacina e o processo de vacinação em massa são indispensáveis para o sucesso do PNEFA (Programa Nacional de Erradicação e Vacinação contra a Febre Aftosa) no reconhecimento do Brasil como área livre de febre aftosa, sendo, inclusive, ferramentas citadas nos manuais da FAO.
O parque industrial brasileiro é moderno e tem capacidade para produção de mais de 500 milhões de doses de vacinas trivalentes contra aftosa por ano, volume que atende perfeitamente às necessidades da pecuária nacional (cerca de 350 milhões de doses/ano), manutenção de estoque de emergência de mais de 60 a 80 milhões de doses e exportação aos países vizinhos, especialmente aqueles com os quais temos fronteira seca – este um importante risco de novos surtos no rebanho brasileiro.
Em relação à suspensão das exportações de carne in natura brasileira aos Estados Unidos, o próprio MAPA reconhece que tal decisão está ligada a uma série de fatores, que incluem abcessos na carne até processos de limpeza dos cortes nos frigoríficos. Esse último tópico, aliás, levou à suspensão de cinco plantas exportadores na semana passada pelo Ministério.
A indústria de saúde animal renova o seu compromisso com o país, com as autoridades e com a cadeia produtiva da carne bovina para trabalhar ainda com mais afinco para a solução de não-conformidades que prejudicam a imagem do produto brasileiro no exterior.
Sindicato Nacional da Indústria de Produtos para Saúde Animal (Sindan)
Abraço,
Altair Albuquerque
Texto Comunicação Corporativa
Telefones (11) 3039-4100 / (11) 99935-1705

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terça-feira, 27 de junho de 2017

Previdência Social: o que está por trás das reformas?

Richard Jakubaszko 
Entrevista com a respeitada economista Maria Fattorelli sobre as pretendidas reformas da previdência social. O programa alternativo Viva Roda é contraponto ao outro programa da TV Cultura.


A economista revela ainda, histórias sobre auditorias feitas em bancos centrais de vários países, como na Grécia e outros, sobre as dívidas internas desses estados que quase foram à bancarrota, e que se salvaram com uma renegociação justa com os bancos e rentistas.
Fatorelli enfatiza que já passou da hora de o Brasil fazer uma auditoria na dívida interna brasileira, e aponta até mesmo como ocorrem alguns dos trambiques do mercado financeiro, os mais comuns, para drenar dinheiro público para os cofres de bancos e rentistas. E, o melhor de tudo, ela dá o nome de alguns desses vampiros sugadores do erário público.

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segunda-feira, 26 de junho de 2017

Geladeiras explodem?

Richard Jakubaszko 
Definitivamente, não é normal geladeiras, freezers e aparelhos de ar-condicionado explodirem. Mas é o que anda acontecendo aqui no Brasil, na Inglaterra, e pelo mundo afora.
A causa dessa macabra situação está no marketing do ozônio e nos embalos e delírios dos ambientalistas.


No prédio londrino de Kensington, a causa inicial foi a explosão da geladeira. E óbvio que o revestimento inflamável contribuiu decisivamente para transformar o prédio numa armadilha mortal, principalmente para os que estavam nos andares superiores, mas a causa foi da geldeira. Portanto, temos a geladeira assassina.

A superintendente da polícia inglesa, Fiona McCormack, disse que o modelo da Hotpoint que deu origem ao incêndio - FF175BP - não passou por um recall e a fabricante está realizando testes adicionais. Autoridades policiais inglesas acrescentaram que estão considerando homicídio culposo entre os possíveis crimes que podem ter sido cometidos.

No edifício de 120 apartamentos e 24 andares, localizado no bairro de Kensington, havia entre 400 e 600 moradores.


Ora, como começa isso tudo? Conforme relato à pagina 36 de meu livro "CO2 aquecimento e mudanças climáticas: estão nos enganando?", no início dos anos 1990, a patente do gás refrigerante CFC (Clorofluorcarbono) expirou, e a empresa fabricante preparou-se para baixar preços e reduzir lucros com esse produto. Não contou com a concorrência chinesa, que pretendia inundar o mundo com o velho gás CFC, vendendo pela metade do preço. Ato contínuo, a empresa desenvolveu um sucedâneo, o gás H-CFC, muito mais caro, e reconheceu humildemente que o seu gás anterior, o CFC,  provocava a destruição da camada de ozônio, e que a falta desta proteção provocaria uma pandemia de cânceres de pele no mundo inteiro. Despacharam um cientista de renome para a Antártida para "medir" a camada de ozônio, e o cientista, acompanhado de enorme equipe de assessores científicos, confirmou o que dele se esperava, estava comprometida a proteção humana contra os raios ultravioleta provenientes do maledeto astro rei, o Sol, que nos aquece desde tempos imemoriais. James Lovelock, o ativista inglês, denunciou o gás CFC, fez um barulho dos diabos, pedindo sua proibição.

Na sequência, depois de muito debate, e de muitos escândalos em manchetes da mídia sensacionalista, cientistas e políticos assinaram o Protocolo de Montreal em 1992, que proibiu a fabricação e venda, em todo o mundo ocidental, do eficiente gás refrigerante, o CFC. Livraram-se da concorrência da China e continuaram com os lucros do gás sucedâneo, o gás H-CFC.

Passados mais de 20 anos a patente do "novo" gás H-CFC também caducou, mas o mundo civilizado já havia encontrado alternativas mais baratas para colocar nos compressores de geladeiras, freezers, aparelhos de ar-condicionado, e nos aerossóis, o gás butano e também o gás propano, altamente explosivos, ao contrário do inofensivo gás CFC, mais conhecido pela marca Freon. Tudo continuou indo bem, até que começassem a explodir em residências, seja por acidentes, vazamentos, maus usos, causando a morte de muita gente inocente.

Outro mercado oportunista que apareceu, como consequência do marketing do ozônio, foram os protetores solares, níveis de 2 a 60 como "fator de proteção", e as farmacêuticas ganham fortunas com esses cremes caríssimos e inúteis, endossados por médicos e dermatologistas que seguem o protocolo associativo. Os protetores solares impedem que o ser humano absorva a vitamina D, que é essencial para os ossos, e que apenas o Sol consegue nos prover.

Bom, espante-se mais: não existe a camada de ozônio. Moléculas de ozônio são mais leves que o ar, flutuam como delicadas borboletas esvoaçantes na altitude de 35 a 40 km do solo, e duram alguns poucos segundos. E a "camada" possui, quando presente, especialmente em regiões tropicais, de 5 a 15 cm de espessura. As moléculas de ozônio são efeito residual de tempestades tropicais, quando explodem cargas elétricas, os chamados raios.

No caso do acidente do prédio de Kensington, em Londres, se o leitor desta denúncia ficou abismado com o que leu acima, comprove através de pesquisa no Google, só no Brasil tivemos centenas de explosões de prosaicas geladeiras, agora tornadas assassinas domésticas.
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domingo, 25 de junho de 2017

A semana da denúncia

Fernando Brito *

Como já se tornou tragicamente rotina no Brasil, a semana política, que em outras épocas hibernaria no inverno do recesso de meio de ano, começa ao calor das expectativas da denúncia a ser oferecida pelo Procurador Geral da República contra Michel Temer.

Mesmo que não haja nela o “fato novo” que todos têm como certo, a simples sistematização, num enredo asqueroso, das falcatruas que envolveram o ocupante do Palácio do Planalto no episódio do encontro noturno, seguido da mala de seu “homem de boa índole” Rodrigo Rocha Loures, tem o potencial de chocar o país e enfraquecer ainda mais a situação de quem nunca teve o respeito da Nação e conseguiu evoluir para o nojo quase unânime dos brasileiro.

(Aliás, como se viu semana passada, quiçá do mundo)

Não se espera, por quem é e por todas as trapalhadas que fez desde que surgiu a delação de Joesley Batista, que Temer tenha algum grau eficiente de defesa contra o que vai ser sistematizado (e, talvez, revelado). E, ainda que não venham situações mais picantes, já se sabe que, com o fatiamento da denúncia, como naqueles anúncios picaretas de vendas na TV, “isso não é tudo”.

As condições de Michel Temer para manter-se no governo, embora não sejam nulas – dado o grau de cumplicidade do parlamento brasileiro – excluem completamente a hipótese de que, ficando, não seja em situação de putrefação e no equilíbrio precaríssimo de um mercado financeiro que “finge que não vê” o que se passa enquanto houver a esperança de que, com isso, algum direito se possa tirar dos trabalhadores e mais cortes possam ser feitos nos gastos públicos.

A aliança mídia-polícia-justiça, muito embora esteja devorando alguns de seus patronos políticos, produziu esta obra dantesca de um país onde são bandidos que nos governam, delatores e delatados.

Um estranho Brasil, onde estimula-se o prazer coletivo da destruição da vida política, econômica e social no altar da “moralidade”.

E de um povo perplexo, que ouviu por anos que nossa pobreza e carência vinham da corrupção do Estado e da política e, abolidas (ao menos em parte) estas, ficou mais pobre e carente.

* o autor é jornalista, editor do blog Tjolaço.
Publicado originalmente em http://www.tijolaco.com.br/blog/semana-da-denuncia/
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sábado, 24 de junho de 2017

O solo (1)

Richard Jakubaszko 
As pessoas não têm a mínima ideia do que seja um solo e as suas propriedades, especialmente os urbanos. Povos antigos aprenderam a duras penas como fazer para que os solos sejam férteis, e é o que aprendemos no vídeo a seguir. As ciências agronômicas conhecem como funciona a vida em um solo fértil, mas falta divulgar melhor esse conhecimento básico.
A parte 2 deste vídeo aparecerá na sequência.

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sexta-feira, 23 de junho de 2017

Chico Buarque: vai passar...

Richard Jakubaszko 
Chico Buarque comemorou 73 anos dia 19 de junho último. Já estava no ar o documentário abaixo, de pouco mais de 1 hora, onde Chico lembra em vários depoimentos o que foi a ditadura, associando isso com suas músicas daquela época e outras que vieram depois.
Vale a pena assistir, não apenas pelas músicas de Chico, mas para saber o que foi a ditadura brasileira de 1964 a 1984, apesar de ser uma amostra grátis daquela tragédia brasileira, e bem pequena, coisa que muito brasileiros hoje com quase 40 anos de idade não têm a mínima ideia do que foi e do que sofreram os brasileiros com o regime militar.


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quarta-feira, 21 de junho de 2017

O Acordo do Clima de Paris não vai mudar nada

Richard Jakubaszko  
Quem diz isso, no vídeo abaixo, é o insuspeito Bjorn Lomborg, ambientalista dinamarquês, presidente do Copenhagen Consensus Center, que aplaudiu a iniciativa do presidente americano Donald Trump ao retirar os EUA do Acordo de Paris. Como estudioso do assunto, e coautor do livro "CO2 aquecimento e mudanças climáticas: estão nos enganando?", fico entusiasmado e bato palmas para Bjorn Lomborg.
O vídeo (em inglês) está legendado. 

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terça-feira, 20 de junho de 2017

Aécio: vamos tirar o PT do governo!

Richard Jakubaszko  
Viu só no que é que deu a raiva do mineirinho? Aécio ajudou a derrubar o PT e Dilma. Colocaram lá Michel Temer e sua quadrilha.
A gente brasileira tá cansada de tanto discurso vazio.
Diretas já, pelo amor de Deus!

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segunda-feira, 19 de junho de 2017

Joesley e a Globo

Leandro Fortes *
A Globo capturou as manifestações de 2013 e as colocou em sua grade de programação – com agendas e transmissões ao vivo – para fazer daquelas “jornadas” o primeiro movimento manipulado de massas com vistas a tirar o PT do poder.

Deu no que deu: em três anos, ajudou a colocar essa quadrilha chefiada por Michel Temer no Palácio do Planalto. Exatamente como fez, em 1989, quando usou seu poder de monopólio para colocar, no mesmo lugar, outra quadrilha, a de Fernando Collor de Mello.

Agora, como no caso de Collor, anuncia um desembarque triunfante, entregando Temer aos leões, mas com o cuidado recorrente de se tornar dona do processo para que, como de costume, as coisas possam mudar de tal forma que permaneçam da mesma forma que estão.

Essa entrevista de Joesley Batista à revista Época, como tudo que vem do esgoto global, tem que ser observada com muito cuidado, justamente porque nada, ali, acontece por acaso.

Não tenho a intenção de ler as 12 páginas que anunciam ser o depoimento de Joesley Batista, da JBS, à revista impressa. Nem com um vidro de Milanta Plus eu me disponho a uma coisa dessa. Por isso, me atenho ao que foi disponibilizado na internet, o que, imagino, seja o de mais importante da entrevista.

Assim, é bom prestar atenção na manchete de letras garrafais que chama para a publicação:

“Temer é o chefe da quadrilha mais perigosa do Brasil”.

Pelo que se depreende da entrevista na internet, essa manchete é fruto de um silogismo pedestre. O que está lá é o seguinte, dito por Joesley:

“O Temer é o chefe da Orcrim da Câmara. Temer, Eduardo, Geddel, Henrique, Padilha e Moreira. É o grupo deles. Quem não está preso está hoje no Planalto. Essa turma é muita perigosa”.

Sacaram?

Logo na chamada introdutória, o texto supervaloriza a entrevista porque esta teria sido fruto de “semanas de intensas negociações”.

Ora, a notícia da delação de Joesley foi publicada em 17 de maio. Há quatro semanas, portanto. Mesmo que Época tivesse entrado em contato com o empresário no minuto seguinte ao furo de O Globo, essa valorização já seria ridícula.

Por isso, algo me diz que as negociações podem até terem sido intensas, mas longe do conceito tradicional de persuasão jornalística.

Também, lá pelas tantas, Época informa aos leitores que, segundo Joesley, “o PT de Lula ‘institucionalizou’ a corrupção no Brasil”.

Bom, pode ser que nas intermináveis 12 páginas disponíveis nas bancas tenha algo mais sólido, a respeito. Mas o que tem na entrevista disponibilizada, no site da Época, é o seguinte, dito por Joesley:

“O PT mandou dar um dinheiro para os senadores do PMDB. Acho que R$ 35 milhões”.

Ou seja, Joesley Batista tem um problema grave de metodologia, quando se trata de dar propina ao PT. Na delação formal, diz que abriu uma conta na Suíça para Dilma e Lula, mas no nome dele. E só ele tem a senha. Agora, revela que o PT “mandou dar dinheiro” para os senadores do PMDB. E acha (!) que eram R$ 35 milhões (!!).

O repórter, simplesmente, não pergunta quem do PT deu a ordem de dar dinheiro, nem quem eram os senadores do PMDB que o receberam. Nem por curiosidade.

Mais adiante, Joesley revela que Eduardo Cunha, então presidente da Câmara, pediu R$ 5 milhões para evitar uma CPI contra a JBS. Segundo Cunha, esse era o valor oferecido por uma empresa concorrente de Joesley para a tal CPI ser aberta.

Qual era a concorrente? Nenhuma pergunta a respeito.

Na mesma linha, segundo Joesley, o operador de propinas do PMDB, Lúcio Funaro, fazia a mesma coisa. Colocava-se para barrar requerimentos de CPIs na Câmara, mas o empresário descobriu que era “algum deputado”, a mando de Funaro, que protocolava as ações.

Quem era um desses deputados pagos por Lúcio Funaro? Nenhuma pergunta a respeito.

Além disso, o repórter incrivelmente não se interessou em perguntar a razão de a JBS ter dado R$ 2,1 milhões a Gilmar Mendes, a título de patrocínio de uma faculdade da qual o ministro do STF é sócio.

A não ser que essa pergunta esteja nas tais 12 páginas, estamos diante de um lapso jornalístico bastante curioso.

Então, é o seguinte.
A Globo decidiu capturar, também, o #ForaTemer, depois de ter sido a protagonista do golpe que colocou essa gente no poder. Por isso, mantém Joesley Batista acorrentado a si.

Quer, outra vez, estar à frente do processo de sucessão presidencial para manter seus negócios e interesses intocados. Para isso, precisa de um presidente eleito indiretamente por esse Congresso vil e repugnante resultado, justamente, das tais jornadas de 2013.

Joesley Batista, ao que parece, é o novo Pedro Collor, o irmão-delator que a Veja usou para derrubar o “caçador de marajás” que ela ajudou a criar junto com a Globo – e que foi enterrado pelas duas com a mesma desfaçatez com que pretendem se livrar, agora, de Michel Temer.

* o autor é jornalista.
Reproduzido do blog Cafezinho: http://www.ocafezinho.com/2017/06/17/leandro-fortes-globo-usa-joesley-para-capturar-o-foratemer/

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sábado, 17 de junho de 2017

Faculdade Pitágoras: a nova meca dos céticos ambientalistas

Richard Jakubaszko 
Parabéns ao Fabrício Fernandes, estudante do último ano da Engenharia Ambiental da Faculdade Pitágoras, de Governador Valadares (MG), pela apresentação da sua TCC (Tese de Conclusão de Curso), orientado pela professora Andiara Assis, e que desconstrói a grande mentira do aquecimento e das mudanças climáticas.
Me senti orgulhoso de ter exercido influência junto ao Fabrício, que leu meu livro, o "CO2 aquecimento e mudanças climáticas: estão nos enganando?", e vai usar a obra como uma das referências do seu TCC. O trabalho acadêmico e curricular de Fabrício Fernandes, com certeza, pode se tornar mais uma das referências nesse tema, que anda muito rarefeito de estudos acadêmicos e científicos, pois as academias exercem uma censura severa aos céticos ambientalistas.
No vídeo a mensagem:

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sexta-feira, 16 de junho de 2017

O longo sangramento do Brasil

Fernando Brito *
Já está claro que o Brasil seguirá, por um bom (ou mau, aliás) tempo sangrando e paralisado.

Ciente que o controle de Michel Temer sobre a mixórdia parlamentar que impera na Câmara dos Deputados, Rodrigo Janot “fatiará” as denúncias contra Michel Temer, ao mesmo tempo em que acelera os inquéritos sobre o seu entorno político.

Na Folha, o Painel diz que o “time” de Janot ” faz planos para impedir que Michel Temer consiga ganhar fôlego no Congresso após a apresentação da primeira denúncia contra o peemedebista, na próxima semana. O grupo estuda entregar ao Supremo um segundo pedido de ação penal contra o presidente antes mesmo de a Câmara decidir pela aceitação ou não da queixa inicial”.

Não se sabe até quando o mercado financeiro vai sustentar a farsa de fingir que não vê o que qualquer um sabe: uma economia já extremamente debilitada não pode permanecer estável em meio a uma tremenda crise política.

Mas vamos continuar brincando de bangue-bangue, com os nossos delegados federais promovendo tiroteios na rua principal.

Haverá bala perdida para todo lado.

E, quem sabe, durante muito tempo, uma cidade-fantasma, onde a desolação é o único cenário.

* o autor é jornalista, editor do Tijolaço.
Publicado no Tijolaço: http://www.tijolaco.com.br/blog/o-longo-sangramento-do-brasil/

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quinta-feira, 15 de junho de 2017

Lula e Aécio no mesmo time de futebol...

Richard Jakubaszko 


O fato aconteceu nos anos 1980, mais precisamente, em 1988, quando a foto acima foi feita. Os dois jogavam futebol juntos toda semana, no campo de futebol do Corpo de Bombeiros, em Brasília.
Lula era lateral-esquerdo e o mais animado da turma, enquanto Aécio atuava no meio-campo. Imagine esses dois fazendo combinações pelo lado esquerdo.
A "pelada" era chamada de "Futebol da Constituinte". Imagina só essa turma marcando pelada...  Além da dupla, vários outros personagens da política brasileira participavam da brincadeira.

Na foto é possível ver.
Em pé, da esquerda para a direita: Maguito Vilela (GO), José Richa, Antonio Patriota (PE), duas pessoas não identificadas, Luiz Alberto Rodrigues, Lula, Cássio Cunha Lima (PB), Eduardo Jorge, outro não identificado e Paulo Delgado.
Agachados: Lysâneas Maciel (RJ), Luiz Gushiken (SP), morto em 2013, Lézio Sathler (ES), Valmir Campelo (DF), Aécio Neves (MG), dois não identificados, Vitor Buaiz (ES) e outra pessoa não identificada.
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quarta-feira, 14 de junho de 2017

Tatoo na testa? Agora é moda...

Richard Jakubaszko  
Todo mundo viu, né? O moleque que foi tatuado na testa com a frase "Sou ladrão". Em tempos de direitos humanos, parece que voltamos ao medievalesco...
Mas os memes proliferam, e todo dia vira sábado de Aleluia, cada um massacrando seu Judas preferido. Desta vez, foi o Aécim... Hilário, porque o currículo é longo...
Meme foi enviado pelo amigo Gerson Machado, de algum lugar do planeta, mais possivelmente das Minas Gerais
  

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segunda-feira, 12 de junho de 2017

O que escrever em sua lápide se você é...



Hélio Casale *

AÉCIO
Enfim, pó!
 
ESPÍRITA
Volto já.

INTERNAUTA
Travou tudo

ARQUEÓLOGO
Enfim, fóssil.


ASSISTENTE SOCIAL
Alguém aí, me ajude!

BROTHER
Fui.

DELEGADO
Tá olhando o quê? Circulando, circulando...

DILMA
Foi golpe!!!

LULA
O túmulo é de um amigo meu.

ECOLOGISTA
Entrei em extinção.

ENÓLOGO
Cadáver envelhecido em caixão de carvalho, aroma formol e after tasting que denota presença de microorganismos diversos.

FUNCIONÁRIO PÚBLICO
É no túmulo ao lado.

HIPOCONDRÍACO
Eu não disse que estava doente?

HUMORISTA
Isto não tem a menor graça.

JUDEU
Quem está tomando conta do lojinha?

PESSIMISTA
Aposto que está fazendo o maior frio no inferno.

PSICANALISTA
A eternidade não passa de um complexo de superioridade mal resolvido.

FUNCIONÁRIO DA CAIXA
Vem pra Caixa você também, vem!

O ADVOGADO
Disseram que morri... Mas ainda cabe recurso... Vou recorrer!!!

* o autor é engenheiro agrônomo, cafeicultor nas Minas Gerais, e um grande gozador.
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