sábado, 22 de abril de 2017

Além da Lava Jato

Além da Lava Jato


Editoria in Capa
MSIa - Movimento de Solidariedade Ibero-americana 


Os desdobramentos da Operação Lava Jato estão expondo as entranhas putrefatas do sistema político instituído com a chamada Nova República, que se mostrou um conluio entre as estruturas partidária e econômica, institucionalizado numa forma crescentemente sofisticada e sistemática de lavagem de dinheiro por meio de campanhas eleitorais. Neste quadro, com poucas exceções, o processo político se converteu num meio de assalto ao aparelho do Estado e a preservação deste poder a todo custo, à margem de qualquer compromisso programático, princípio moral ou atenção ao Bem Comum. No âmbito federal, nenhum governo do período pós-1985 se apresentou com um projeto de Nação, mas com meros projetos de poder e a meta de preservá-lo por pelo menos duas décadas (prazo coincidentemente citado pelos estrategistas dos governos de Collor, FHC e Lula). Os resultados não poderiam ser diferentes.



A tsunami de delações dos executivos da Odebrecht e do patriarca Emilio Odebrecht (particularmente relevante no trecho em que expõe a hipocrisia cúmplice da imprensa - assista aqui ), que deverá ser reforçada pelos de outras empreiteiras, escancara definitivamente esse padrão de relações promíscuas público-privadas na vida política. Sem dúvida, o maior obstáculo para que o Brasil possa aspirar a se construir como uma Nação apta a proporcionar perspectivas de vida decentes aos seus cidadãos e a contribuir para a reconfiguração da civilização mundial em curso.



Não obstante, a despeito da importância da Operação Lava Jato, a exposição do poder real no País precisa ir além dela e lançar luz sobre o núcleo central desse sistema hegemônico, que subordina todos os demais: o sistema financeiro, intrinsecamente corrompido por uma estrutura de desvio dos frutos das energias produtivas de toda a sociedade brasileira, em benefício dos vultosos lucros dos seus integrantes. Em 2015-2016, enquanto a economia como um todo experimentava um recuo superior a 8%, os lucros dos três maiores bancos privados aumentaram em cerca de 25%. Um levantamento do Instituto Assaf mostrou que, no período 2001-2016, os títulos da dívida pública foram, de longe, o “investimento” mais rentável no País, com ganhos reais de 319%, mais que o dobro do segundo colocado, o ouro, e a anos-luz de distância do mercado de ações, que representa minimamente a economia real, em quinto lugar, com apenas 34%.



A influência política do sistema financeiro se manifesta de forma categórica sempre que se inicia uma investigação sobre algum esquema secundário de corrupção dentro da megacorrupção intrínseca ao sistema como um todo.



Um exemplo foi o célebre caso do Banestado, que envolveu a remessa irregular ao exterior de valores estimados na casa das centenas de bilhões de reais, na esteira dos arreglos de privatização do governo Fernando Henrique Cardoso (1995-2002), cujas investigações foram devidamente abafadas nos altos escalões de Brasília, já no início do primeiro mandato de Luiz Inácio Lula da Silva, em 2003.



Outro caso notável é o esquema de manipulação das taxas de câmbio montado por operadores de 15 bancos internacionais que operam no País, que funcionou entre 2007 e 2013, causando aos exportadores brasileiros prejuízos estimados pela Associação de Comércio Exterior do Brasil (AEB) em mais de R$ 70 bilhões. A investigação do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade), iniciada em 2015, corre em absoluto segredo de justiça, sem manchetes retumbantes no horário nobre da televisão, vazamentos de delações premiadas ou entrevistas coletivas dos investigadores, como tem sido corriqueiro nos trabalhos da Lava Jato. Em dezembro último, o Cade “perdoou” cinco dos bancos envolvidos com uma irrisória multa conjunta de R$ 181,7 milhões, três ordens de grandeza inferior aos prejuízos causados pelo esquema aos setores produtivos (que a AEB, agora, pretende cobrar judicialmente, em iniciativa das mais oportunas).



O poder dos bancos foi, igualmente, evidenciado na recente decisão do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (Carf) do Ministério da Fazenda, de isentar o Banco Itaú de pagar impostos no montante de R$ 24 bilhões, devido à valorização das suas ações com a aquisição do Unibanco. Isto, enquanto os setores produtivos se debatem com a voracidade tributária e o cipoal burocrático, que consomem recursos e energias absolutamente desproporcionais aos retornos oferecidos e contribuem fortemente para aprofundar os efeitos da crise socioeconômica.



Mas nada disso se compara ao Everest da corrupção financeira, a manipulação da dívida pública, a colossal estrutura de transferência de recursos públicos para interesses financeiros privados nacionais e internacionais, que a ex-auditora da Receita Federal Maria Lucia Fattorelli, coordenadora da organização Auditoria Cidadã da Dívida, denomina o “Sistema da Dívida”. Em 2016, o esquema capturou nada menos que 44% do orçamento federal e este ano não deverá ser muito diferente, criando um círculo vicioso de drenagem de recursos dos investimentos produtivos geradores de empregos e renda, geração de fortes despesas que sobrecarregam ainda mais o orçamento público e de aumento infindável do montante da dívida.

Em recente entrevista, reproduzida nesta Resenha (05/04/2017), Fattorelli foi categórica: “O rombo das contas públicas no Brasil decorre desses gastos financeiros. E dizem que são os direitos sociais que prejudicam o equilíbrio fiscal do Estado, mas, na verdade, é o sistema da dívida pública que quebra o Estado e impede os direitos sociais.”



Um exemplo claro dessas distorções é a reforma da Previdência Social, que exclui da pauta de discussões os consideráveis ganhos de eficiência dos processos produtivos obtidos nas últimas décadas, em grande medida, apropriados de forma insidiosa pelo sistema financeiro pró-rentista, sem a devida retribuição aos empreendedores e trabalhadores das cadeias produtivas.



Nesse contexto, adquire especial relevância a proposta de delação premiada do ex-ministro Antonio Palocci, que, em reunião com os investigadores da Lava Jato, teria manifestado a intenção de tratar da “corrupção de empresas do sistema financeiro, como bancos, além de conglomerados que não integram grupos de empreiteiras (Folha de S. Paulo, 18/04/2017 - leia aqui)”.



Se se confirmar, a delação de Palocci tem um vasto potencial de completar o eixo da corrupção, estendendo-o de Brasília até a Avenida Paulista e criando uma possibilidade concreta de se exporem aos brasileiros as entranhas de uma estrutura parasitária que tem raros similares conhecidos no planeta.



A cada dia, fica mais evidente que a neutralização desse aparato pró-rentista constitui um passo imprescindível para que o País possa retomar a sua trajetória de desenvolvimento e progresso civilizatório. Para tanto, vale enfatizar, a limpeza nas estrebarias do poder terá que ir além do alcance da Lava Jato. Este é o primeiro passo fundamental para o imprescindível estabelecimento de um novo projeto nacional de desenvolvimento.


Publicado originalmente em http://msiainforma.org/alem-da-lava-jato/
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sexta-feira, 21 de abril de 2017

A direita começa a ver a fria em que se meteu?

Fernando Brito *
Nesta semana, Fernando Henrique Cardoso, falando no evento português do Instituto “Gilmar Mendes”, disse que só a legitimidade do voto dá “condições para o poder ser exercido com a estabilidade necessária para cuidar das coisas que contam para o povo”.

Sinal tanto para Michel Temer – o homem que acha que ser impopular é virtude reformadora – quanto para a conspiração judicial que tem seu centro na Procuradoria Geral da República e em altas sombras do Judiciário.

Aqui mesmo, porém, do outro lado do Atlântico, surgiu mais que um sinal, quase uma explicitude, que pode revelar outro movimento de parte da elite que percebe os perigos que a “galinha dos ovos de ouro” Brasil pode estar correndo.

Registrado pelo El País, as falas de despedidas do empresário Roberto Setúbal, que deixa a posição de presidente do Banco Itaú acertou na testa a movimentação de João Dória Júnior para ser a estrela da corte tucana.

Cito-as no contexto, muito bem narrado pelo jornal espanhol, no qual apenas “rearrumo” os momentos:

O presidente do Itaú, Roberto Setúbal, decidiu dar um pitaco sobre a política brasileira nesta terça, que reverbera na corrida eleitoral para 2018. No palco de um evento promovido pelo banco em um hotel em São Paulo, foi questionado pelo economista-chefe do Itaú, Mario Mesquita, sobre a onda dos empresários na política. Setúbal respondeu que há espaço na política para aqueles que gostam do assunto como uma nova carreira.

      (…) Parecia que se referia a Doria quando se referiu à “pessoa certa”. Mas   na sequência, falou sobre a necessidade de “bons políticos” mais do que gestores privados.

     “Mas no fim do dia, política é para políticos”, disse ele, que ainda completou. “Não dá para imaginar que um gestor competente vai solucionar os problemas do Brasil”, concluiu.

     O executivo não nomeou diretamente o prefeito João Doria Jr., mas chamou a atenção por ter usado a expressão “gestor”, que é a marca de Doria desde a campanha. “Não sou político, sou gestor”, repetiu ele seguidamente, num bordão que ajudou a elegê-lo prefeito da capital paulista em primeiro turno. Setúbal afirmou que empresários podem ter um olhar diferente para a política. “Nesse sentido, melhora a gestão pública”. Mas deixou clara a falta de entusiasmo com essa saída.

Como não se conhece casos de megaempresários que tenha feito escaladas de dinheiro e poder falando algo gratuitamente, fica evidente o “contravapor” dado ao “Collor” paulistano.

Luís Nassif, numa análise com a dose de otimismo que sempre devemos nos injetar ao olhar a política – sem o que seria melhor ir para casa, cuidar apenas da vida pessoal – diz em sua ótima análise no GGN que as cúpulas das elites politico empresariais pode estar “se dando conta de que a destituição de uma presidente legitimamente eleita – mesmo com todos seus erros – e a tentativa de destruição de um partido político, desequilibraram todo o sistema político-institucional do país, eliminaram os amortecedores para a Lava Jato, permitindo a maior destruição de riqueza da história. E abrem espaço para que um poder maior se apresente. Vestindo coturnos”.

Um país sem instituições políticas, ou ao menos com elas exibidas publicamente como se fosse o valhacouto apenas dos piores bandidos, está sujeito a toda sorte de aventureiros.

E aventureiros são, inevitavelmente, desgraças para nações.

* o autor é jornalista, editor do blog Tijolaço.
Publicado originalmente no: http://www.tijolaco.com.br/blog/direita-comeca-ver-fria-em-que-se-meteu/

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quinta-feira, 20 de abril de 2017

O Brasil é uma farra, de hipocrisias...

Richard Jakubaszko

Essa farra não é de hoje, veio com os portugueses, e à ela somaram-se todos os imigrantes, que para cá vieram à força ou em busca de conquistarem seus sonhos, juntos com os nativos que aqui habitavam esse imenso país tropical, eternamente deitado em berço esplêndido. Nós, os herdeiros desses nativos e de toda a importação humana, continuamos a repetir os mesmos erros antigos, já corrigidos por outros países.

A primeira questão é que brasileiro não gosta de pagar impostos. Até aí nenhuma novidade, pois nenhum povo gosta disso. E o país vive com o orçamento apertado, sempre um cobertor pequeno demais para atender todas as demandas de inúmeros grupos de brasileiros ou de regiões carentes, seja na saúde, educação, saneamento, segurança, infraestrutura ou previdência. Os impostos desta terra não são tão elevados como se apregoa, mas a carga tributária arrecadada é gigantesca, e é mal distribuída pelos políticos que quando estão no poder dão preferências aos seus grupos de apoio ou que melhor reivindicam/exigem direitos. Que normalmente são os mais ricos. E que invariavelmente pagam menos impostos (proporcionalmente) do que os pobres.

Sem uma reforma tributária justa e honesta o Brasil nunca vai avançar. Sem arrecadar o que precisa a União jamais conseguirá melhorar o IDH dos brasileiros. Culpa da chamada elite social e econômica que indica e elege seus políticos, e ainda obtém apoio dos pobres para que votem nos seus apaniguados, especialmente deputados federais e estaduais, lobbystas de seus patrocinadores. Todo político é lobbysta de um grupo que o apoiou, e defende esses interesses, por vezes escusos, mas sempre egoístas.

Tomemos como exemplo a carga tributária: nos países desenvolvidos há um imposto chamado IVA - Imposto de Valor Agregado, que varia de 7% a 15%, e é aplicado na venda dos produtos/serviços ao consumidor fiscal. Ai de um comerciante caso não emita nota fiscal por ocasião da venda do produto/serviço, até mesmo de um simples cafezinho. Se for flagrado por um fiscal vai preso na mesma hora, e se denunciado sofrerá uma fiscalização impiedosa, e possivelmente receberá multas pesadas, exemplares.

No Brasil, não. Para se obter uma nota fiscal na maioria do comércio, de pequeno ou médio porte, é uma novela de muitos capítulos, com enredos tragicômicos. Ou seja, a sonegação é gigantesca. Há gente que já se deu ao trabalho de quantificar isso e projeta a sonegação como superior à metade do PIB - Produto Interno Bruto. Daí o mal afamado caixa 2.

Em vez de fiscalizar, os governos estaduais brasileiros preferem premiar, como se faz em São Paulo, aos que pedem nota fiscal e fornecem seu CPF. Antes com descontos nos valores de taxas cobradas aos consumidores, em contrapartida ao volume de despesas efetuadas, agora com prêmios sorteados. Pura hipocrisia, o estado transfere ao cidadão a responsabilidade da fiscalização, e aumenta a sua arrecadação. Vejamos, entretanto, que a sonegação continua a existir, e ela acontece porque a carga tributária do ICMS (equivalente ao IVA) é alta, variando de 12% a 25%. Nos casos de grandes empresas prestadoras de serviços (água, luz, gás, telefonia, internet) os percentuais são os mesmos, porém são aplicados de cima para baixo, conforme você leitor poderá verificar em suas próprias contas. Ou seja, em uma conta desses serviços, se você for um consumidor médio, acaba pagando não 25% mas 33% sobre o total da fatura, porque a incidência não é sobre o valor da hipocrisia dos serviços recebidos. Incide sobre o total da nota e de outros impostos menores.

Temos então que o problema seria facilmente resolvido da seguinte maneira, replicando a premissa do Imposto Único: em vez de 1% sobre todas as movimentações financeiras, que não foi adotada quando proposta, mas depois aplicava-se 0,40% como CPMF, o que foi outra hipocrisia, porque não acabou com os outros impostos; teríamos então um IVA (substituindo o ICMS) de 7% ou 10%, o que for necessário, sobre todos os produtos e serviços, mas sem ser imposto em cascata, como é o injusto e hipócrita ICMS, e que propicia a enorme sonegação, sonegação que vira caixa 2 e reflete até mesmo no Imposto de Renda das empresas, porque a sonegação também é em cascata.

No IVA o agente arrecadador é a União, que redistribui parcelas dos estados e municípios. Todo mundo paga, especialmente os maiores consumidores, ou seja, quem tem mais renda.

Teríamos um país mais justo, não tenho a menor dúvida disso. Com verba para realizar obras de infraestrutura e saneamento, mais escolas, com professores melhor preparados, mais hospitais, com médicos e equipamentos adequados e mais modernos, e uma previdência mais justa aos trabalhadores.

E por que não se faz isso? Porque os políticos lobbystas não querem. Porque o pobre acha que vai pagar imposto, quando hoje acredita que não paga nenhum imposto... Já o político não defende os interesses do povo porque é pau mandado da elite social e econômica, que não paga impostos na proporção do que ganham, mas acham injusto o governo distribuir "benefícios" ao povo, como hospitais, escolas e esgoto.

O governo sobrevive e se equilibra dentro de um orçamento com impostos indiretos, como o ICMs, no estadual, e o IPI no federal, além do Imposto de Renda, mas este é, fundamentalmente, pago pelos assalariados que trabalham com carteira assinada. Os empregados de salários mais elevados são "pessoas jurídicas", são terceirizados, e quase nada pagam de imposto. Já os municípios cobram o ISS, IPTU e, especialmente, as multas sobre veículos de motoristas apressados e espertos que nunca sabem onde há uma câmera fotográfica digital escondida. As multas de infrações, em São Paulo, Capital, e em muitas grandes cidades brasileiras, hoje em dia chegam a representar mais de 40% dos orçamentos municipais.

Ao Imposto de Renda o rico não paga, ou paga muito pouco, porque não recebe salários, mas dividendos de lucros da empresa da qual é acionista, e que são isentos de IR. Alegam que a empresa já pagou o IR. Mas isso só vale para grandes empresas, as que pagam IR sobre lucro, porque a maioria das empresas, de porte médio e pequeno, quase nunca apresentam lucros, pois sustentam seus acionistas arcando com todas as despesas pessoais do acionista e de sua família.
Adicionalmente, não há imposto sobre herança, como em outros países, e filhos de ricos recebem patrimônios imensos sem pagar qualquer contribuição ao país que os abriga. E vamos nos enganando... (e sonegando...)

Desta forma, seja na União, ou nos estados e municípios, a arrecadação nunca é suficiente para cobrir as necessidades dos brasileiros, porque cada vez tem mais gente, e as necessidades aumentam proporcionalmente a cada crescimento demográfico. O povo se conforma com o "sempre foi assim", a classe média fica indignada com a corrupção dos políticos e empresários, com as histórias do caixa 2. É o famoso e manjado "me engana que eu gosto". 

Tim Maia, de saudosa memória, um dia resumiu essa hipocrisia moral dos brasileiros, povo de um país tropical abençoado por Deus, ao dizer que somos a única nação onde rufião tem ciúmes, prostituta tem orgasmos, traficante é viciado, e pobre é de direita.

Com essa, se concordamos com o aforismo de Tim Maia, podemos retrucar que Deus, definitivamente não é brasileiro. Pois não temos solução de justiça social.

quarta-feira, 19 de abril de 2017

Rio Tietê: a maior obra de saneamento do Brasil

Richard Jakubaszko 
Meme do governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, que num ataque de honestidade reconhece gestão inconveniente e errática...
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terça-feira, 18 de abril de 2017

Brasília e seus políticos, vergonha do Brasil !!!

Richard Jakubaszko 
Não nos provoca vergonha uma notícia dessas? Suborno explícito, e divulgado de forma pública por um governo não eleito, e debaixo de acusações de propinas. Melhor, o "prêmio" é aceito pela mídia de forma escancarada, o Estadão publicou, não criticou, mas fica clara a situação...

 
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segunda-feira, 17 de abril de 2017

Como fazer negócios com a China

Richard Jakubaszko 
Entrevistei Vladimir Milton Pomar para o Portal DBO. Técnico agrícola e jornalista, e um especialista em China, ele comenta sobre como fazer negócios com os chineses; na entrevista, Milton conta histórias e analisa casos interessantes de negócios com os chineses, apontando avaliações e hábitos erráticos na condução de negócios dos brasileiros com os orientais.

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domingo, 16 de abril de 2017

Delações premiadas? Ai, ai, ai...

Richard Jakubaszko 
Na época da ditadura (1964-1985) as delações eram premiadas com a morte, ou eventualmente se poderia parar com a tortura física. Era esse o prêmio. Acabava o sofrimento. Hoje em dia a delação é premiada com a liberdade, o delator e corrupto vai para casa, mesmo que tenha sido condenado a 20 anos de prisão. São sinais indicadores de cada um dos tempos. Na ditadura os torturadores decidiam se pegavam o delatado. Hoje em dia, os juízes, da mesma forma, decidem se "pegam" ou não os delatados, mas há situações específicas em que um delator relata uma denúncia, mas essa "não vem ao caso". Porque o juiz tem convicção...

Na ditadura (aqueles que sobreviveram), os dedos-duros podiam depois rever na justiça as delações, porque feitas sob tortura física. Nas delações premiadas contemporâneas, apesar das evidentes torturas psicológicas a que são submetidos, os delatores, se fizerem revisões do relatado, voltam à prisão para cumprir a pena a que foram condenados, conforme cláusulas dos "contratos de delação". Delações premiadas? Ai, ai, ai...

A música brasileira retrata um pouco da época. Com humor, na composição de Jorge Veiga, a gente conhece um pouco da nossa história. Mas essa coisa de delator começou muito antes, Judas foi um delator que entrou para a história, por trinta dinheiros.

Ontem, sábado de Aleluia, também foi o dia do delator, né não? Você malhou o seu Judas, com toda a vontade?

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sábado, 15 de abril de 2017

A hipocrisia da moralidade

Richard Jakubaszko   
Na última quinta-feira participei de um já tradicional almoço mensal com 6 amigos, no velho (102 anos) Filet do Moraes, no centro de São Paulo, com muito alho no filet. Além de trocas de informações sobre o mercado, filosofia, futebol, idiossincrasias humanas, fofocas e outras inutilidades, entrou na pauta das conversas a corrupção política e o balde entornou com divergências de opiniões entre um dos participantes e eu, claro, não poderia ser diferente.

Estivemos longe das vias de fato, porque civilizados, ou domesticados que somos, mas o ambiente esquentou e quase azedou a cerveja. Os demais tentavam filosofar sobre algumas questões pontuais, colocando panos quentes, mas a verdade é que o almoço terminou sem acordo de opiniões e cada um foi embora com sua própria verdade. Meu contendor das tertúlias políticas saiu do filet do Moraes tão irado que esqueceu de pagar sua cota parte do almoço... Entreveros como esse, tão comuns hoje em dia, demonstra o quanto o Brasil anda vagando sem rumo, sem liderança, sem qualquer estratégia, rumo ao precipício, com a boiada em disparada, fazendo muita poeira e barulho. Nessa disputa midiática de políticos que andam apenas olhando para 2018, brasileiros e amigos esquecem da fraternidade comensal para debater a corrupção generalizada, como se esta fosse única e individualizada ou então generalizada e atávica, e aí embolam-se as opiniões adversativas. O problema, nesse caso, e em todos os outros, é que há um ódio no ar, flutuando, e quem tem opinião contrária ao do outro transforma-se em inimigo, porque as discussões viram confronto de dogmas monolíticos e inquebrantáveis. Daí, gera o famoso e hilário "não tenho culpa de sempre ter razão", o que não é exclusividade dos jovens. Os mais velhos conservaram essa imbecilidade, hoje exacerbada.

Há o quase consenso de que os políticos são reféns da grande mídia, que é quem comanda o espetáculo da hipocrisia moralista, e constrói a agenda do executivo, de um governo que abriga a maior quadrilha de escroques que se tem notícia na história desta nação. E tudo isso comandado pela hipocrisia da moralidade dos procuradores em combater seletivamente a dita corrupção, matéria prima que chegou na bagagem dos portugueses com balangandãs, colares e quinquilharias para entregar as nossos índios. Os portugueses alegam até hoje que não sabiam onde iriam aportar com suas caravelas, mas vieram preparados para tudo, inclusive fazer lobby com indígenas ou ETs.

Hoje, encontrei na internet um vídeo com depoimento do jornalista Luis Nassif, sobre a Lista de Janot, em que ele expressa cheio de indignação um pouco do que tentei explicar aos comensais do nosso alho-mensal fraternal, sem obter o efeito que desejava, por isso envio a todos, como sobremesa, algumas palavras que deixei de expressar, pois o Nassif resumiu o imbróglio muito bem, e eu assino embaixo.

No frigir dos ovos, tenho uma certeza, nada ainda resolvido, pois somos todos culpados, e somos todos perdedores, e nem poderemos todos migrar para o Canadá, aconteça o que acontecer. Eu vou ficar por aqui, independentemente das desgraças futuras, pra ajudar a endireitar essa nossa hipocrisia moralista, cujas origens remonta a hábitos e tradições luso-católico-judaico-afrodescendente, amálgama da massa cultural tupiniquim quase analfabeta, politicamente falando, é claro. É a nossa moral juvenil, própria dos adolescentes.
Divirtam-se com a ira do Nassif, que é minha também.

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quinta-feira, 13 de abril de 2017

Sons do Oriente, milenares.

Richard Jakubaszko 
De Cingapura para o mundo, som é música, seja de percussão ou sopro. Instrumentos milenares, desenvolvidos nos tempos místicos, cuja sonoridade nos revela a alma humana desde os primórdios.


quarta-feira, 12 de abril de 2017

NASA encontra vulcão que expele água e sal no planeta anão Ceres

Rafael Regiani
O vulcão de Ceres tem metade do tamanho do Everest e expele água com sal em vez de lava
Um vulcão de água gelada com metade do tamanho do Everest. Parece uma atração de parque aquático, mas é a nova arma do asteroide Ceres para ganhar alcançar a fama. A descoberta feita pela equipe de Ottaviano Ruesch, da NASA, foi publicada na Science (Ler aqui ).

Descoberto no século 19, o irmão de Plutão foi inicialmente alçado ao título de provável décimo planeta do Sistema Solar, mas as definições de planeta anão foram atualizadas, e Ceres acabou rebaixado à mesma categoria do ex-nono planeta.

Para os parâmetros de sua vizinhança, porém, Ceres é bem nutrido: um terço de toda a massa do cinturão de asteroides que fica entre Marte e Júpiter corresponde a ele. Não bastasse o tamanho razoável, ele ainda prega peças nos observadores. Já foram registradas crateras que desapareceram de sua superfície sem deixar vestígios e inexplicáveis manchas brilhantes (Ler detalhes aqui ).

Sua nova carta na manga é o vulcão Ahuna Mons, que, em vez de lava, expele água e sal. Isso mesmo, uma ótima ideia para colocar um pouco de macarrão na mistura e improvisar um jantar cósmico. O nome do vulcão é criovulcão, ou vulcão gelado.

A seguir, resumo da revista Science:
Por Bruno Vaiano
Ninguém o viu em atividade, mas há bons motivos para acreditar que ele estaja ativo, sim: não há atividade tectônica no planeta anão, o que excluí a possibilidade de que uma elevação geográfica tenha se formado pelos mesmos processos que deram origem às cordilheiras terráqueas. E foi possível verificar que a erosão não é significativa. “O único processo que pode formar uma montanha isolada é o vulcanismo”, explicou Rausch ao Business Insider.

Essa é a mais clara evidência de um vulcão gelado já encontrada. E a existência dessa bizarrice cósmica pode revelar detalhes fascinantes das características químicas e geológicas do astro. "Nós havíamos visto pistas de atividade criovulcânica no passado, mas não tínhamos certeza. Essa é uma descoberta importante que restringe as formas como Ceres pode ter se desenvolvido", afirmou Ruesch ao veículo americano. "A montanha na superfície nos conta o que está acontecendo em seu interior."

Entre outras possíveis implicações da descoberta, a presença de sal diminui a temperatura de solidificação da água, o que pode explicar a características que resultam da circulação de fluidos mesmo em temperaturas tão baixas (a mínima, por lá, é -106ºC, e a máxima, -34º)
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(Via Science Alert, ler mais detalhes aqui )

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terça-feira, 11 de abril de 2017

Faz 60 anos, a USP já previa o derretimento dos polos...

Richard Jakubaszko
"Estamos hoje comemorando a data da publicação da Folha da Noite (de São Paulo, Grupo Folha), de 11 de abril de 1957, com o prognóstico sombrio de que os mares subiriam 12 metros em 50 a 65 anos... Passados 60 anos, nada aconteceu!!! Ainda faltam 5 anos para eles acertarem... façam as suas apostas, hehehe!"
O exemplar do jornal foi retratado pelo professor Conti, em 2007.


COMENTÁRIOS DO BLOGUEIRO
Curioso disso tudo é que nos anos 1970 a Nasa Previa que o planeta iria congelar, o que gerou 4 capas da revista Time. Depois, nos anos 1980, previram que iria esquentar, e essa "teoria conspiratória" permanece até hoje, com amplo apoio da mídia e de interesses inconfessáveis.



segunda-feira, 10 de abril de 2017

Meme da Dilma para Temer

Richard Jakubaszko 
Cada vez mais impagável essa internet...

Só porque a inflação estabilizou, por causa do altíssimo desemprego, e a redução no consumo, a GloboNews acha isso uma boa notícia. Devolveu poder de compra aos coxinhas empregados...
  
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domingo, 9 de abril de 2017

Cantar em dois tons

Richard Jakubaszko 
Mulher polifônica, a alemã Anna-Maria Hefele canta em dois tons, isso é extraordinário!



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sábado, 8 de abril de 2017

Síria e Trump: acabou-se a lua de mel. USA é sempre USA.

Luis Amorim (de Portugal)

Pentágono treinou "rebeldes" da Al Qaeda na Síria na utilização de armas químicas
por Michel Chossudovsky

Os media ocidentais refutam as suas próprias mentiras. Eles não só confirmam que o Pentágono tem estado a treinar os terroristas na utilização de armas químicas como também reconhecem a existência de um não tão secreto "plano apoiado pelos EUA para lançar um ataque com armas químicas na Síria e culpar o regime de Assad". Leia aqui.


O Daily Mail de Londres, num artigo de 2013, confirmou a existência de um projeto anglo-americano endossado pela Casa Branca (com a assistência do Qatar) para efetuar um ataque com armas químicas na Síria e atribuir a culpa a Bashar Al Assad.

O artigo seguinte no Mail Online foi publicado e a seguir removido. Note-se o discurso contraditório: "Obama emitiu advertência ao presidente sírio Bashar al Assad", "Casa Branca dá sinal verde a ataque com armas químicas".

Esta reportagem no Mail Online publicada em Janeiro de 2013 foi removida a seguir. Para mais pormenores clique aqui.

O treino do Pentágono de "rebeldes" (também conhecidos como terroristas do Al Qaeda) na utilização de armas químicas.

A CNN acusa Bashar Al Assad de matar seu próprio povo enquanto também reconhece que os "rebeldes" não só estão na posse de armas químicas como também que estes "terroristas moderados" filiados à Al Nusra são treinados na utilização de armas químicas por especialistas sob contrato com o Pentágono.


Numa lógica enviesada, o mandato do Pentágono era assegurar que os rebeldes alinhados com a Al Qaeda não adquiririam ou utilizariam ADM, ao realmente treiná-lo na utilização de armas químicas (soa contraditório):

"O treino [em armas químicas], o qual está a realizar-se na Jordânia e na Turquia, envolve como monitorar e proteger estoques de matérias-primas e manusear sítios e materiais com armas, de acordo com as fontes”. Alguns dos empreiteiros estão no terreno na Síria a trabalhar com os rebeldes para monitorar alguns dos sítios, segundo um dos responsáveis.

A nacionalidade dos treinadores não foi revelada, embora os responsáveis previnam contra a hipótese de serem todos americanos. (CNN, 09/Dezembro/2012). 
Captura de écran do artigo da CNN. O link original foi redirecionado para blogs da CNN.

Quem está a efetuar o treino de terroristas na utilização de armas químicas? De fonte confiável: a CNN. 

E estes são os mesmos terroristas (treinados pelo Pentágono) que são os alegados alvos da campanha de bombardeamento antiterrorista de Washington iniciada por Obama em Agosto de 2014:

"O esquema estabelecido pelo Pentágono em 2012 consistiu em equipar e treina rebeldes da Al Qaeda na utilização de armas químicas, com o apoio de empreiteiros militares contratados pelo Pentágono – e a seguir sustentar que o governo sírio era responsável por utilizar as ADM contra o povo sírio.

O que está a desdobrar-se é um cenário diabólico – o qual é uma parte integral do planeamento militar – nomeadamente uma situação em que terroristas da oposição aconselhados pelos empreiteiros ocidentais da defesa estão realmente na posse de armas químicas.

Isto não é um exercício de treino rebelde em não-proliferação. Enquanto o presidente Obama declara que "você será responsabilizado" (se "você", referindo-se ao governo sírio) utilizar armas químicas, o que é contemplado como parte desta operação encoberta é a posse de armas químicas pelos terroristas patrocinados pelos EUA-NATO, nomeadamente "pelos nossos" operacionais filiados à Al Qaeda, incluindo a Frente Al Nusra, a qual constitui o mais eficaz grupo combatente financiado e treinado pelo ocidente, em grande parte integrado por mercenários estrangeiros. Numa distorção amarga, Jabhat al-Nusra, um "ativo de inteligência" patrocinado pelos EUA, foi colocado recentemente na lista de organizações terroristas do Departamento de Estado.

O ocidente afirma que vem para resgatar o povo sírio, cujas vidas estão alegadamente ameaçadas por Bashar Al Assad. A verdade é que a aliança militar ocidental não só está a apoiar os terroristas, incluindo a Frente Al Nusra, como também a tornar disponíveis armas químicas para a sua "oposição" de forças rebeldes.

A fase seguinte deste cenário diabólico é que as armas químicas nas mãos de operacionais da Al Qaeda serão utilizadas contra civis, o que potencialmente poderia levar toda uma nação a um desastre humanitário.

A questão mais ampla é: quem é uma ameaça para o povo sírio? O governo sírio de Bashar al Assad ou a aliança militar EUA-NATO-Israel, a qual está a recrutar forças terroristas de "oposição", as quais estão agora a ser treinadas na utilização de armas químicas" (Michel Chossudosvsky - 08/Maio/2013). 07/Abril/2017 

O original encontra-se em www.globalresearch.ca/
O presente artigo encontra-se em http://resistir.info/
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sexta-feira, 7 de abril de 2017

Todo movimento é som e ritmo

Richard Jakubaszko  
Da África milenar, cada movimento é um ritmo. Tudo é música, com predominância da percussão. Do jazz ao samba, cujas origens estão na África. O vídeo abaixo tem mais de 10 milhões de visualizações, e é extraordinário.
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quarta-feira, 5 de abril de 2017

O agro preserva o meio ambiente

Richard Jakubaszko
A agropecuária preserva o meio ambiente, é a conclusão da reportagem na Band TV de ontem à noite, inclusive com depoimento do engenheiro agrônomo Evaristo de Miranda, que é também doutor em Ecologia, da Embrapa Monitoramento por Satélite.
Veja no vídeo a reportagem:

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